Maurren Higa Maggi

Maurren: garra, técnica, carisma.

Além de ser uma fora de série, Maurren Higa Maggi tem na garra e no carisma fatores que certamente a deixarão para sempre na memória do povo brasileiro. Quando salta, a garota de São Carlos, cidade do Interior paulista, parece carregar consigo as es- peranças de toda uma Nação. E quando ganha, fato, aliás, bastante rotineiro em sua carreira, ela magicamentese integra à gente da arquibancada, na felicidade e no grito de Brasil.

Em competições internacionais, Maurren saltita para os lados, desenha corações no ar e, ato contínuo, procura uma bandeira bra- sileira, abraçando-a, e fazendo com que ela tremule para o mundo. Maurren lembra o grande Ayrton Senna na paixão desenfreada por sua terra. Vaidosa, pinta as unhas com esmero. As cores? De sua pátria, claro.
Há plena sintonia entre ela e o povão. Sintonia fina, que a identifica como parente querida de cada um dos 180 milhões de brasileiros. Quem acompanha a trajetória da atleta, sabe que, com Maurren não há tempo ruim.Tem raça. Dá o melhor de si sempre: tanto nos maiores e mais tradicionais palcos do planeta quanto numa simples compe- tição, de menor brilho, em pista de quali- dade duvidosa. Salta como kamikase, sem medo. Faz parte de seu show a ousadia que transforma atos comuns em epopeias. Com Maurren na pista, com Maurren no campo, a emoção e o espetáculo sempre estarão garantidos.

A trajetória de Higa Maggi começou em 1994, aos 18 anos de idade. De mala de couro cru, saiu de São Carlos, do convívio de sua família, para dourar seu sonho na cidade grande. Suaqualidade ímpar logo foi iden- tificada. Passou a treinar no Projeto Futuro, do governo paulista, lá no Ibirapuera, e a competir pela equipe da ADC-Eletropaulo, sob a orientação do competente casal Nélio Alfano Moura e Tânia Fernandes de Paula Moura, seus técnicos até hoje, em 2008. Naquele mesmo ano já conquistaria ostítulos de campeã brasileira e sul-americana juvenil do salto ern distância, além de campeã sul- americana dos too metros com barreiras.

Os anais do Instituto Memorial do Salto Triplo, da qual faz parte da galeria de honra, registram que sua primeira conquista internacional importante foi a medalha de prata no salto em distância do Campeonato Ibero-Americano disputado em Medellin, na Colômbia, em 1996. Um ano depois, em evolução fu lm in a n te , obteve o recorde paulista adulto, também no salto em distância, então defendendo as cores da União Esportiva Funilense. Foi colecionando recordes. Em 1998, pulverizou o recorde paulista dos 100 metros com barreiras,sagrando-se bicampeã brasileira.

Após repetir a vitória, no Ibero-Americano, dessa vez em Lisboa, Portugal, Maurren soli- dificou sua hegemonia no Sul-Americano de Mar Del Plata (Argentina), em 1997. Corria o ano de 1999. Madura, Maurren foi esta- belecendo recordes brasileiros no salto em distância (6,79 m) e nos 100 metros com bar- reiras (13,345), superando por ampla margem um tempo que perdurava por 15 anos.

Em Bogotá, mais precisamente no Campeonato Sul-Americano, ela provaria, definitivamente, sua condição de uma das maiores estrelas da história do atletismo brasileiro. No salto em distância, cravou 7,26 m, recorde continental; nos 100 metros com barreiras, superaria a antiga melhor marca da América do Sul por duas vezes (13,07 s e 13,05 s). Após conquistar a medalha de bronze na Universidade (Campeonato Mundial Universitário), Maurren seguiu firme e bem cotada para os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, Canadá.

Inaugurando as unhas pintadas e seu jeito brasileiro de ser, trouxe a primeira medalha de ouro para o Brasil no salto em distância, com a marca de 6,59 m. Logo após disputou os 100 metros com barreiras e beliscou a prata, novamente impondo recorde sul-americano para a prova. Aliás, nossa Maurren foi a primeira da América do Sul a correr a prova com tempo abaixo dos 13 segundos.

Na telinha, o Brasil acompanhava o surgmento de mais um de seus ídolos. E ela não decepcionaria. Em Sevilha (Espanha), poucas semanas após sua brilhante participação no Pan de Winnipeg, teve a melhor participação da história para atletas brasileiras em cam- peonatos mundiais. Foi a oitava colocada no salto em distância: 6,68m.

Fome insaciável. Maurren - nome escolhido por seu pai, um beatlemaníaco, em homenagem à então mulher do baterista Ringo Starr, queria mais. No ano 2000, disputando pela primeira vez o Circuito Europeu Indoor (pista coberta), faturou cinco medalhas das seis possíveis. Com Higa Maggi, o Brasil tinha esperança de medalha nos Jogos Olímpicos de Sydney. Todos viram pela tevê quando Maurren, em uma de suas tentativas, teve um problema muscular e caiu chorando na caixa de areia.

Um desavisado que chegasse naquele instante ao Brasil haveria de dizer, no melhor estilo de Nelson Rodrigues: "O Brasil é um País com problemas musculares", tamanha foi a comoção provocada pela empatia entre o povo e sua Maurren. Obstinada, parece que a menina de São Carlos só obedece a uma frase do Hino Nacional: "Verás que o filho teu não foge à luta". Mais do que lutar, Maurren brigou com a contusão, tomando-a colarinhos e dizendo: "não mereço você. Saidaqui, sinistra!"

A recuperação, lógico, foi rápida. Em 2001, foi campeã mundial universitária do salto em distância na China, com a marca de 6,83 m, conquistando, ainda, duasmedalhas de prata na competição, nos 100 metros com barreiras e no revezamento 4x100 metros. E terminou a temporada com a medalha de ouro dos Goodwill Games (Jogos da Amizade ), na Austrália.

Em 2002, a musa do atletismo brasileiro teve uma de suas melhores temporadas. Estabe- leceu o recorde sul-americano no salto triplo (14,32 m), e foi vice-campeã no salto em dis- tância da Copa do Mundo de Atletismo, em Madri. Sua conquista maisexpressiva, porém, ocorreu justamente na competição mais importante daquele ano, a Final do Grand Prix da IAAF, em Paris, quando venceu o salto em distância com 7,02 m, sua melhor marca da temporada.

Em 2003, Maurren foi medalhista de bronze no Campeonato Mundial Indoor, em Birmingham, com a marca de 6,70 m no salto em distância (recorde sul-americano indoor), e terminou a temporada na liderança da lista mundial de resultados (7,06 m). Estabeleceu, ainda, um novo recorde sul-americano no salto triplo (14,53 m). Após duas temporadas de inatividade, retornou às competições em 2006, com um belo motivo para recuperar o tempo perdido: a filha Sofia.

Será que ela voltará a ser a mesma? A pergunta corria solta em bocas de Cacilda. Não, todavia, no coração daqueles que a acompanham, torcem por ela e conhecem seu poder desuperação.

Em muito, mas muito, pouco tempo, ela respondeu aos críticos. Competindo pela equipe BM&F/Pão de Açúcar, voltou a figurar entre as melhores saltadoras do mundo. Einebriou o público dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, dando-lhe tratamento de fidalgo, com ouro e bandeira brasileira no pódio.

  
Principais Conquistas
  • Atleta Revelação
    • Revista Interesportes - 1999
       
  • Protagonista da Imagem Esportiva do Ano
    • Sportv - 1999
       
  • Destaque Feminino do Ano
    • Comité Olímpico Brasileiro - 1999
       
  • Atleta do Ano
    • Jornal O Estado de São Paulo - 1999
       
  • Destaque do Ano
    • Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos - 1999
       
  • Destaque do Ano
    • Panathlon de São Paulo - 1999
       
  • Melhor Atleta Sul-americana
    • Confederação Sul-americana de Atletismo - 2000/2001
       
  • Melhor Atleta de Atletismo
    • Comitê Olímpico Brasileiro - 2001
  
Dados Pessoais
Atleta: Maurren Maggi
Filiação: Willian Higa Maggi e Ruth Matias Maggi
Data de Nascimento: 25 /06 /1976
Naturalidade: SãoCarlos/SP

Técnico: Nélio Alfano de Moura
  
 
 
Endereço
Rua Tutóia, 324 - Cj 1 
Paraíso - São Paulo 
04007-001 - SP 
(0XX11)2305 6094